Câmara volta atrás e mantém mandato de 4 anos

Agência Câmara – O Plenário da Câmara dos Deputados decidiu
manter nesta quarta-feira (15) o mandato de quatro anos para presidente da
República, governadores, prefeitos, vereadores e deputados. Senadores continuam
com mandato de oito anos.
Os deputados retiraram do texto da reforma política (PEC 182/07), na
votação em segundo turno, a alteração desses mandatos para cinco anos. E
mantiveram o fim da reeleição para presidente da República. A data de posse de
governadores e presidente, que mudaria para 4 e 5 de janeiro, permanecerá
em 1º de janeiro.
Já a discussão sobre as doações das empresas, a maior polêmica da
reforma política, foi adiada para agosto. Um questionamento regimental do líder
do PMDB, deputado Leonardo Picciani (RJ), inviabilizou a análise de destaques para
retirar do texto a autorização para as doações das empresas aos partidos. O
financiamento empresarial de campanhas está sendo questionado no Supremo
Tribunal Federal (STF), o que trouxe o assunto para o Legislativo.
Picciani afirmou que a tentativa de mudar o texto agora no segundo turno
não pode ser aceita porque, se aprovada, vai deixar a PEC com um texto
rejeitado em primeiro turno – o financiamento eleitoral apenas por pessoas
físicas. “Nós não podemos ter uma votação que se preste a resgatar textos. Ou
seja, que, sob a via de se suprimir, busque-se resgatar texto que tenha sido
votado e rejeitado quando da votação em primeiro turno da matéria”, disse.
Depois de reunião de líderes, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha,
disse que achou melhor adiar a votação para tomar uma decisão sobre o ponto
questionado pelo PMDB que, segundo ele, colocou o Plenário diante de um “dilema
regimental sério”.
Cunha comentou que, se a Mesa tivesse sido alertada antes, ele não
teria considerado válidos os destaques apresentados por PPS e PT. “Não podemos
correr o risco de tomar uma decisão e validar um texto constitucional que não
teve respaldo em votação em dois turnos porque, se ficar só a doação de pessoa
física, além de ter sido rejeitado no primeiro turno, não foi votado em dois
turnos”, explicou.
Questionamento
O adiamento foi criticado pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS), para quem a
decisão foi baseada na percepção de que as doações de empresas não teriam os
308 votos necessários para aprovação. “O indicador de votos pendia para a
derrota do financiamento e, percebendo isso, o líder do PMDB fez uma questão de ordem totalmente extemporânea”, condenou
Fontana.
A líder do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ), também protestou. Ela
disse que, mesmo retirando o financiamento de empresas, o texto não ficará
igual ao votado em primeiro turno. E lembrou que, se o argumento é que não se
pode votar matéria rejeitada, a emenda do financiamento empresarial não poderia
ter sido votada em primeiro turno.
Coube ao líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), descartar que houve
manobra contra a votação do financiamento. “Eu não conheço esses sinais [de que
a proposta seria derrotada se votada nesta quarta]. A vitória no primeiro turno
foi de mais de 330 votos e o sentimento do Plenário permanece o mesmo”, disse.
Ele afirmou que o adiamento teve o aval da maioria dos líderes partidários.
O Plenário deve retomar a votação da PEC da Reforma Política na primeira
semana de agosto. Além do financiamento empresarial de partidos, a Câmara vai
decidir ainda sobre a distribuição do tempo de rádio e de televisão e do Fundo Partidário no caso de deputados que mudam de
partido.

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